Resenha: Livro A Abadia de Northanger – Jane Austen

Olá pessoal,

Hoje a resenha será de mais um romance da famosa Jane Austen e escolhemos, “A Abadia de Northanger”. 

Autora: Jane Austen

Gênero: Romance de amor

Personagens: Catherine Morland, Henry Tilney

Páginas: 149

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A Abadia de Northanger, escrito ainda na juventude de Jane Austen e publicado postumamente, em 1818, um ano após a morte de Jane Austen.

Descrição da história

“A Abadia de Northanger” é, sem dúvida, um dos romances mais elaborados da época – uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz de romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe.  Catherine deixa a tranquila e, por vezes, tediosa vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath, do final do século XVIII. Em Bath, Catherine frequenta bailes, teatros, lojas e afins com a Sra Allen e fica encantada com tudo. Logo ela conhece Henry Tilney que é o mocinho da história jovem agradável, inteligente e rico. Conhece também os irmãos Thorpe,​ Isabella e John, Isabella, por sinal, se torna sua melhor amiga, apesar de sua personalidade fútil e muito artificial. Já John tem personalidade forte e muito arrogante. Jane Austen faz um eloquente contraste entre realidade e imaginação, entre uma vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver.

Análise Crítica

Diferente dos romances Persuasão, Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade  de Jane Austen é possível perceber que A Abadia de Northanger possui uma abordagem diferente, talvez até mesmo por ser o seu primeiro livro.  Mesmo seguindo a linha de expressão do caráter e do amor, nesta obra a autora apresenta um romance mais voltado para a crítica literária.

Austen mostra como a literatura era interpretada na época, como os romances góticos de Ann Radcliffe sendo chamados de leitura vazia e sem sentido.

“- Já leu Udolpho, sr. Thorpe? – Udolpho!Ah, meu Deus! Não. Nunca leio romances. Tenho mais o que fazer. Os romances são cheios de absurdos e coisa parecida; nenhum razoavelmente decente foi publicado desde Tom Jones, fora The Monk, li este outro dia; mas todos os outros são a coisa mais estúpida que existe na criação. “pg. 642.

Nessa obra, Jane Austen conversa diretamente com o leitor, abordando o preconceito literário, em defesa dos romances.

“…e, se uma manhã chuvosa lhes tirasse toda outra diversão, estavam decididas a se encontrar, apesar da água e da sujeira, e se trancavam  no quarto para ler romances juntas. Isso mesmo, romances; pois não vou adotar esse mesquinho e grosseiro costume, tão comum entre romancistas, de degradar com sua censura desdenhosa os próprios trabalhos cujo número eles mesmos fazem crescer, unido-se a seus piores inimigos em dar os mais agressivos epítetos a tais obras,  nem sequer permitindo que elas sejam lidas por sua própria heroína, que, se por acidente lhe cair nas mãos um romance, decerto folheará suas insípidas páginas com repulsa. Mas aí! Se a heroína de um romance não for apadrinhada pela heroína de outro, de quem poderá esperar proteção e atenção? Não posso aprovar tal coisa. Deixemos aos críticos insultar à vontade tais efusões de imaginação, e a cada novo romance lançar seu surrados ataques contra o lixo que hoje faz gemerem as prensas. Não abandonemos uns aos outros; somos um corpo ferido. Embora a nossa produção tenha proporcionado mais amplo e autêntico prazer do que as de qualquer outra corporação literária do mundo, nenhuma espécie de composição foi mais vituperada. Por orgulho, ignorância ou moda, nossos inimigos são quase tantas quantos nossos leitores.” pg. 634

É interessante perceber ao longo do livro a indignação da escritora, pois quando ela discute o assunto é como se quisesse mostrar que não existe “livros para mulher” e “livros para homem” ou “livros para pessoas inteligentes” e “livros para ignorantes”.

Além disso, sutilmente a escritora defende a importância da educação das mulheres e podemos perceber isso quando Henry e Catherine falam acerca de livros e do pouco reconhecimento dos romances que ela defendia em detrimento da leitura de livros de história que causavam grande “tormento” às crianças.

Mas os historiadores não tem culpa  pela dificuldade de se aprender a ler; e mesmo a senhorita, que não parece especialmente propensa à aplicação severa e intensa, talvez possa ser levada a reconhecer que vale a pena ser atormentado por dois ou três anos, para ser capaz de ler o resto da vida. Pense bem… se não se ensinasse a ler, a sra. Radcliffe teria escrito em vão… ou talvez nem sequer tivesse chegado a escrever.” pg. 681

Foi essa obra que deu o pontapé inicial para Jane se libertar, continuando a escrever seus romances e publicando seus livros. É nítida suas angústias e frustrações quanto as dificuldades que as mulheres enfrentavam para serem reconhecidas e aceitas a terem acesso à educação na sociedade. Por isso, seu primeiro livro pode ser descrito como um romance/comédia satírica.

Descreve-se romance porque o enrendo é sobre o amor puro e inocente de Catherine Morland por Henry Tilney. Um relacionamento que se sustentou e fortaleceu pela honra e dignidade. Assim como em Razão e Sensibilidade, Jane Austen deixa bem marcada nessa obra o contraste de carácteres das pessoas, principalmente no quesito relacionamentos.

Comédia, pois Jane Austen criou sua personagens Catherine ingênua e inocente, que só vê o labo bom das pessoas e com isso a leitura se torna engraçada e encantadora. Além disso, sua companheira de viagem Sra. Allen é muito engraçada quando aparece, pois o seu lado fútil é muito aguçado, então diverte o leitor com seus diálogos sem sentido sobre vestidos e tecidos. Por fim, o Sr. Tilney que é um galante brincalhão durante suas conversas com Catherine.

Satírico, por abordar temas como a crítica literária, que ainda hoje é um assunto latente. Por falar de avareza, falsa modéstia, casamentos por interesse financeiro e status social e a preocupação pela aparência, tanto das vestimentas como da posse de bens, como charretes e cavalos. Através de Catherine, Jane mostra seu descontamento com a ideia de uma família que possui grande fortuna procurar outra no mesmo patamar. Além disso, a própria autora satiriza sua personagem principal, chamando-a ironicamente de heroína, sendo que ela não possui qualquer característica heroica, e que por muitas vezes é levada ao engano em razão maldade das outras pessoas. Talvez seja essa a sátira, uma heroína por sobreviver num covil de leões, sem se corromper.

Por fim, achei o livro um pouco rápido, o romance por mais que seja o tema principal, muitas vezes parece ser deixado de lado. Falta um pouco de envolvimento entre os personagens principais.

Assim, como nas outras obras que li de Jane Austen, sinto falta de um final mais detalhado.

Frases preferidas

“Parecer quase bonita era conquista mais prazenteira para uma menina que fora feia durante os quinze primeiros anos da vida do que a que uma beleza de berço poderia jamais fazer. ” pg. 620

“A Sra. Morland, porém, tão pouco sabia sobre fidalgos e baronetes, que não tinha nenhuma ideia da malícia geral deles, e não suspeitava de nenhum perigo por suas maquinações contra sua filha. Seus conselhos limitaram-se aos seguintes pontos: “Peço, Catherine, que deixe sempre o pescoço bem agasalhado, quando voltar à noite dos salões; e gostaria que mantivesse alguma contabilidade do dinheiro que gastar; vou dar-lhe esta caderneta só para isso”.pg. 622

“Considero a quadrilha como um símbolo do casamento. A felicidade e a complacência são os principais deveres do par; e os homens que preferirem não casar ou não dançar, não tem direito ao par ou à esposa dos vizinhos.”pg. 660

Semelhança entre matrimônio e dança:

“…nas duas coisas o homem tem a vantagem da escolha e a mulher, só o poder de recusar; que,nas duas coisas, é um compromisso entre o homem e a mulher, estabelecido para o proveito de cada um deles; e que, uma vez fechado o acordo, eles se pertencem exclusivamente um ao outro até o momento da sua dissolução; que é dever de cada um tratar de não dar ao outro motivos para arrepender-se por não estar em outro lugar, e que o melhor interesse de ambos consiste em impedir que suas fantasias se ocupem com as perfeições de deus vizinhos, ou imaginem que estariam melhor com outra pessoa.” Pg. 660

“…só quis dizer que ao atribuir o convite do meu irmão à Srta. Thorpe apenas a motivação da boa índole, a senhorita me convenceu de que tem melhor índole do que todo o resto do mundo.” Pg. 693

“…seus pensamentos estavam tão agitados,que, quando as perguntas foram respondidas, ela não ficou muito mais esclarecida do que antes, sobre o fato de a Abadia de Northanger ter sido um rico convento na época da Reforma…” pg. 698

“Nesse caso, não houve grandes estragos, pois não acho que Isabella tenha algum coração para se ferir.” Pg. 745

“Sentiu-se ligado pela honra e pelo afeto à srta. Morland e, crendo que era seu aquele coração que ele fora induzido a consquistar, nenhuma retratação indigna por um tácito consentimento, nenhum decreto contrário ditado por uma ira injustificável podiam abalar a sua fidelidade ou influenciar as decisões por ela ordenadas.” Pg.763

“Convicta de que a injusta interferência do general, longe de prejudicar a felicidade do casal, foi talvez bastante propicia a ela, ao aprofundar o conhecimento recíproco e fortalecer o amor entre os dois, deixo, a quem quer que a tanto se habilite, resolver se a tendência principal desta obra é recomendar a tirania paternal ou recompensar a desobediência filial.” Pg. 766

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Eu comprei os livros no site da Amazon, por 47,99.

Se tiverem interesse em outras resenhas das obras de Jane Austen, já escrevi também sobre Razão e Sensibilidade.

Northanger Abbey - filme

Foto – Adaptação do filme

*Abadia é uma comunidade monástica cristã, originalmente católica, sob a tutela de um abade ou de uma abadessa, que dirige com a dignidade de pai espiritual da comunidade. 

Fonte: Razão e Sensibilidade, Wikipédia, Amazon

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